A saga do Iphone 6 - por Rita Kroth

Publicado em 03/11/2014 às 17h38

 

IPHONE 6 – A SAGA

Fui duas vezes à procura do bendito: no domingo 19 de outubro e sexta dia 24 de outubro.

 

PRIMEIRO DIA (domingo 19 de outubro):
Cheguei às 5 da manhã no FLORIDA MALL e já havia uma fila formada na rua, em frente a uma das portas de entrada do shopping. Em dias de domingo o Florida só abre às 11h da manhã, porém, às 10h fomos autorizados a entrar e permanecer em fila num ambiente onde entravam os funcionários. Momentos depois fomos informados da disponibilidade de aparelhos para venda naquele dia, apenas 20 aparelhos IPHONE 6 PLUS DE 16 GIGAS. Ficaram apenas 30 na fila, as outras 50 foram dispensadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SEGUNDO DIA DE EXPERIÊNCIA APPLE, NA ESPERANÇA DE UM 6 DE 64 GIGAS
Cheguei à meia noite no FLORIDA MALL com edredon, mas sem casaco, não esperava o frio de rachar que me acabou. Fiquei escondidinha num cantinho, perto da porta, não havia ninguém em frente ao shopping. Fiquei feliz, sou a primeira da fila!! uhulll, hoje pego.

Não demorou, fui abordada pelo segurança do local me solicitando para ir embora. Eu disse que tinha ido de taxi e não podia ir embora. Ele chamou a polícia, disse que eu não poderia ficar alí, que voltasse às 5.

Chegou a polícia, bati um papo bem brasileiro e acabei descobrindo que havia uma fila clandestina, formada basicamente por revendedores num local próximo dalí, organizada por eles próprios, mas que valia, e era seguramente respeitada pelos organizadores, a ‘security’ do shopping. São ‘eles’ os responsáveis por reorganizá-la em frente ao local às 5 da matina. Ok, o policial me jogou pra dentro e me deu uma mão, me levando até o local onde estavam os "mafiosos". Eu já cheguei na chinfra, observada, afinal... estava escoltada, e pelos Caras. Na verdade isso só me envergonhou perante o grupo aglomerado entre cobertores e casacos. O frio assoviava.

Chegando lá, de carona - barbada, mas fiquei cabreira, gente estranha com jeito esquisito, eu não tô legal, não aguento mais esse frio... Contudo, olhando mais de perto, só tinha gente fina, elegante e sincera - não pensem que fui a única louca da vez não, tinha até um médico batendo o queixo na minha frente na fila, rsrsrs. Cena das mais engraçadas. Então... Fui logo abordada pelos caras que me colocaram numa lista de um caderno escrito a lápis - peguei o nº20 - Credo, naquela hora, 20? Esse lance tá pra maluco.

Acábasse fazendo amizade com o pessoal, o que achei ótimo, aprendi muito de vida por ali, muito de comércio e contrabando também. São mulheres e homens, que compram e revendem alí mesmo, com "pequeno" ágio de 200 dólares – as vezes USD 250, depende do perrengue que sofrem pra conseguí-lo -, é... vi o ágil subir na minha cara naquele dia. Vendem sim, normalmente pra brasileiros desinteressados em pegar aquela fila. Mas o mais interessante foi saber que o cara de nº1 tinha chegado lá ÀS 14H DO DIA ANTERIOR, e não pense que dá pra dar uma passadinha em casa pra dar um coxilo, não... Depois de colocar o nome da fila vc não pode permanecer mais de meia hora fora dela, se não perde o lugar, realmente coisa pra maluco, de certeza.

Os organizadores da fila 'clandestina' fizeram ronda revezada em frente ao shopping para pegar pessoas como eu, perdidas, desavisadas, afinal, não era interessante pra ninguém que se formassem filas diferentes, haveria briga pela primeira posição. Nesse interim entre a meia noite até às 5h, fomos expulsos do local onde estávamos aglomerados, fomos então para outro estacionamento também próximo, e assim é, esperasse expulsão a qualquer momento, é clandestino afinal. Por isso não posso precisar a vcs onde fica essa fila, ela é itinerante.

 
A fome, o frio, a necessidade ou a vontade, tudo isso pode unir um grupo. Uma portuguesa sorridente juntou um grupo de 3, 4 mulheres e convidou a dar uma passada no MacDonalds perto dalí. Já aviso disse ela, a região não é boa, no Brasil era calão de arrastão pensei quando vi. Entrei no Mac, uma coisa suja, frequentada por um tipo de americano qua ainda não tinha visto, submundo, underground. Prostitutas banhávam-se nas pias do banheiro. Tinha sangue na parede. Elas estávam vidradas. E eu, assustada, - saída à direita por favor. Passos de costas, meia volta volver. Esperei no carro. Minhas já 'amigas' da fila, donas do carro, vendedoras de elite, compraram seu lanche e saíam faceiras, como se nada tivessem visto. É normal na região o acontecido. Eu, com meu olhar turístico, não tinha percebido que estava vivendo uma noite cotidiana do local, como uma local.

Às 5 fomos para a fila em frente ao shopping, agora autorizada e lícita. Chegando lá, claaaro, tinha já outra fila se formando, então um breve bate papo, inspecionado pelo segurança do local sr. BARRY (depois saberão mais sobre ele) - ok resolvido-, os clandestinos são sempre respeitados, afinal... eles estão alí todos os dias e já ajudam a segurança BARRY na organização e tradução junto aos demais, pq os policiais não falam nenhuma outro idioma que não seja o pátrio, nem fazem questão. E na fila, o que pouco se fala é o inglês, tem gente de todo mundo, poucos americanos.

Ficamos então das 5 às 8h na rua, um frio do "baralho" eu já com casaco emprestado daquela mina portuguesa que era só sorriso - profissa de iphone - sempre por lá, gente boa pra caramba.

Às 7:30h fomos pra segunda etapa, a interna, onde passamos mais 1h aguardando a informação de disponibilidade e reserva. Já contabilizávamos 200 pessoas. O shopping só abriria às 9h, era sexta afinal.

Chega o funcionário da Apple cheio de energia - qualquer um bem dormido a teria -, ao nosso olhar o universo girava muito rápido, estávamos todos lentos, sonolentos. Tinha gente alí que virava há 3 dias seguidos. Orquestrado por um segurança figura, com voz de Barry White, o gerentão veio gritando, todo animado dizendo que SIM, havia o IPHONE 6, CONTUDO, SÓ O DE 16GIGAS – ah, também não tem funcionário Apple interessado em falar outra língua que não seja a mãe -. 
 
O segurança, que já estou a chamar amistosamente de BARRY, ficou com os 30 primeiros da fila, dispensando o restante sem dó nem piedade. Quase tive um infarto, afinal eu queria o de 64 gigas, mas eu estava DENTRO, sou das 30 meu 'bro'. Só o cara, o cabeça, primeirão da fila, pegou dois bichinhos de 64 gigas em dourado (já vendidos pra clientes que o esperavam em algum hotel, bem descansados).

Ah... tem mais uma, cada cidadão tem direito de comprar apenas DOIS APARELHOS. Já deixo claro aqui que esse 6 de 64, dourado, é o 'creme de lá creme' da telefonia atual, todo mundo quer o mesmo. Volta Barry e diz com voz retumbante: “NÃO PODE SAIR DA FILA, NÃO PODE PASSEAR NO SHOPPING. Quando distribuirmos a senha, são PROIBIDOS DE FALAR COM OS DEMAIS DA FILA, BEM COMO COM QUEM NÃO ESTAVA NELA”, firme o cara foi pontual. Vi gente ser expulsa da fila por ele por não cumprir a regra.

Ok, já que fiquei aqui até agora, passei por tudo isso... vou ficar com esse mesmo. Gente, pra encerrar com chave de ouro, lhes conto que o sistema da APPLE caiu 3 vezes e fomos atendidos apenas às 11 da manhã, pois toda a seleção e reserva é feita online, na fila mesmo, pelos funcionários. Com esse 'bug' no sistema, fomos desencorajados a permanecer na fila, nos mandaram embora, eu quase surtei, batemos boca com o organizador do lance, dissemos que não sairíamos – eu já tinha me tornado um deles, a clandestina-, VAMOS ESPERAR VOLTAR O SISTEMA MEU BROTHER, e assim fizemos.

Fui muito bem tratada. Todos, todos mesmo, são super elegantes -praxe do povo americano, sempre educado -, se esforçam pra te entender. Não posso dizer que fiz amizade com o velhinho 'general' BARRY WHITE, mas conhecê-lo foi um privilégio, ele é uma lenda viva da região.

Fomos atendidos ao meio dia e aplaudidos na saída da loja, por passeantes do shopping, afinal... somos guerreiros!

Agora me pergunta por que?! Porquê Orlando é onde está todo o universo. Em Tampa não tá assim, vc consegue o bichinho fácil, fácil. Pena que só soube disso depois. Mas se vc quer o bichinho a qualquer preço, compre numa esquina qualquer de Orlando. Sim, tem sim, com ágios que giram de 200 a 400 doletas. Fique à vontade.  

Fiz muitos contatos, gente do mundo todo, vivi o submundo do capitalismo na carne, ri horrores, tenho casa aberta em várias partes do mundo por causa dessa trip, não perdi nenhum minuto do meu dia, segui dali vivendo Orlando com todo gás, andei horrores por aquele shopping, comprei milhões de brinquedos pro meu filho, e só saí de lá de dentro às 20h da noite, quase de muletas, mas honrada, orgulhosa e com meu Iphone no bolso.

Enfim... Foi sensacional! Cada louco com sua mania. Cada um vive como quer. Tem pessoas que preferem olhar a vida pela janela, com coisas entregues em suas portas, e tem outras que preferem lutar por suas coisas a sua forma, colocando a mão na massa, doa a quem doer, cheios de vida, amarradões pela aventura da conquista e pela beleza do que pode ser vivido no improviso.

Espero que meu depoimento apenas sirva de experiência para os que preferem se programar e escolher qual caminho querem tomar. Ouvi de alguns a palavra humilhação, pobre tem disso né, tudo é humilhante, a cultura do ‘coitadismo’ brasileiro. 
 
Realmente não vejo como humilhação nenhum dos processos. Na América as coisas são feitas com base em regras, nós brasileiros não estamos acostumados com isso e alguns podem entender como humilhação.

Humildade eu diria, um belo exercício.


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(Por Rita Kroth)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

Renata em 14/11/2014 11:41:07
por favor, poupem-se este trabalho de ficar na fila, isto não è lutar pelo o que se quer, não é ser martír da auto-superação como o texto fez parecer, há sites que mostram o estoque real de TODAS as lojas da Apple nos EUA em tempo real como o Istocknow, o site é atualizado a cada mudança de estoque (as vezes questões de segundos), comprei o meu 6 gold de 64 assim, além do meu marido e cunhado que conseguiram assim...confere o estoque online, compra online e faz store pick-up (buscar na loja), não pega fila nem nada...
Priscila em 06/11/2014 11:25:12
Gente, como o iPhone que eu quero eh o mais concorrido e mais difícil de achar (6- dourado 64 gigas) pensei em comprar pela internet e pedir pra entregar no hotel, será que é seguro? Ficarei no Rosen inn, e o meu medo é o iPhone chegar lá e eles nao me entregarem.

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